VeNi | TODOS NÓS SOMOS IMPORTANTES!


Numa quinta-feira, 16 de julho de 2016, fui cortar meu cabelo, uma criança estava "na vez" pra ter o cabelo cortado, essa criança estava com uma carteirinha de brinquedo, e essa carteirinha era uma carteirinha de caminhoneiro de brinquedo para crianças, o distinto cabeleireiro perguntou se a criança, um menino que deveria ter seus seis ou sete anos o seguinte: - Você vai ser caminhoneiro?

Com um sorriso no rosto de quem daria um bom caminhoneiro ele respondeu:

- Sim!

O cabeleireiro cheio das melhores intenções (segundo o entendimento dele) retrucou:

- Run! tem que ser é "Doutor"!

Eu como espectador ali na cadeira de quem espera ser o próximo a passar pelas mãos de um dos melhores profissionais de minha cidade quando alguém do sexo masculino pensa em cortar o cabelo fiquei matutando.

Pensei MUITO em iniciar uma conversa em tom de debate com o nobre cabeleireiro, mas me contive.

Daí que não me segurei, olhei pro lado e vi uma pilha de revistas, olha só, papel eu já tinha pra escrever alguma coisa, me faltava uma caneta, sem delongas, me dirigindo ao cabeleireiro perguntei:

- Fulano, você teria uma caneta pra me empestar?

Ele que, sem parar o belo trabalho q estava fazendo no cabelo do moleque respondeu:

- Não.

Por sorte, coloquei a mão no bolso e achei aquilo que eu precisava, uma caneta Bic preta modelo compactor (Como ela apareceu no meu bolso eu não sei, porque antes de pedir uma verifiquei se eu carregava alguma comigo).

Saquei minha caneta como se fosse uma espada pra defender o futuro e a sanidade mental daquela e de várias outras crianças com o sonho de serem caminhoneiras que porventura ainda passariam pelas mãos do diletíssimo cabeleireiro, peguei uma revista dentre todas as revistas que perto de mim estavam (sabem aquelas revistas desatualizadas que ficam numa mesinha próxima às cadeiras onde se espera pra cortar o cabelo?), encontrei um espaço numa página onde conseguiria escrever alguma coisa e tirei tudo o que estava para explodir de minha cabeça, e como já havia decidido não exteriorizar oralmente, decidi que ali eu faria um pequeno manifesto em favor dos pequenos caminhoneiros como o rapazinho de cabelo liso que ali estava a minha frente. Com a caneta em punho comecei a retirar junto com a tinta da caneta no papel, o pensamento de minha cabeça, e juntos saíram, e foi mais ou menos assim:

"PRECISAMOS DE CAMINHONEIROS"


"NO FUTURO, TODOS IRÃO PRECISAR"

"UM BOM CAMINHONEIRO JAMAIS VAI TIRAR A VIDA DE ALGUÉM"

"UM MÉDICO RUIM, QUE FOI OBRIGADO POR PRESSÃO SOCIAL OU DOS PAIS A SE FORMAR EM MEDICINA NA MARRA, COM TODA CERTEZA DURANTE SUA VIDA PROFISSIONAL IRÁ COMETER ALGUNS ERROS MÉDICOS"

 "ERROS MÉDICOS MATAM PESSOAS" 

É MELHOR TERMOS UM BOM PROFISSIONAL QUE É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA PARA O EQUILÍBRIO DA SOCIEDADE BRASILEIRA, ONDE QUASE TUDO O QUE COMEMOS CHEGA EM TODOS OS LUGARES ATRAVÉS DE CAMINHÕES, DO QUE TERMOS UM ASSASSINO VESTIDO DE BRANCO E RESPONDENDO POR DOUTOR.

Veni Júnior
Comentários