COLUNA ASSAIANTE : E AGORA? QUEM VAI CORRER ESSE BOI?


Só o tempo poderá dizer, mas de uma coisa eu tenho certeza, a briga está ficando a cada dia maior.

A disputa pela legalização da vaquejada ganhou visibilidade desde o último dia 6 de outubro, momento em que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade da Lei que regulamentava a brincadeira (esporte) no Estado do Ceará.

Em sinal de protesto, no dia 25 de outubro, gente de todos os rincões do País, com a intenção de defender a cultura do nordestino, encheu a Capital da República com mais de 1.500 cavalos e 5 mil vaqueiros gritando pela legalização da vaquejada e mostrando para o povo brasileiro a fé do homem do sertão. Fora essa a “maior vaquejada do mundo”.

Cantorias, missa do vaqueiro e cartazes com frase de protesto marcaram o evento, que no dia 1 de novembro reconfigurou-se e acabou por institucionalizar uma briga que até então era somente do povo que andava à cavalo.


Os engravatados, os senadores, aprovaram, na terça passada, a lei que reconhece a vaquejada e o rodeio como patrimônio imaterial da cultura do Brasil. Com essa decisão, o Legislador foi de encontro à sentença proferida pela maior Corte do País, dias anteriores. Assim, o que era simples ganhou ar de rebuscamento. Os gibões cederam lugar aos ternos e os homens da lida aos homens do poder.

Hoje em dia é mais quem quer, por conta da mídia de todo esse reboliço, ser o dono da vaquejada. Uns postam foto aqui outros acolá e dizem: “fiquei feliz com o reconhecimento da força do meu Nordeste”, mas esquecem-se da última vez que montaram no lombo de um cavalo ou dançaram um forrozinho em uma festa de gado.

Mas voltando à briga dos grandes, eu pergunto: quem vai dar a palavra final? STF ou Senado Federal? Os representantes do povo ou os da Lei? Bom, eu não sei, mas é melhor aguardar o resultado dessa corrida e ver quem, de fato, vai conseguir pontuar nessa disputa.

Enquanto isso não se resolve, eu continuarei aqui na torcida para que os bois continuem caindo na faixa, a poeira levantando e o povo sendo feliz nas festas de vaquejada. Esse é o meu Nordeste. Essa é a minha gente. Essa é a nação brasileira.

 Por Dr. Alexandre Assaiante.
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