VERSOS A MAMÃE [Kleber Lago]


Em todos os dias, todas as horas, todos os instantes, para o filho que sabe valorizar o papel de mãe, cabem louvores e reflexões sobre a importância da presença dela em nossa vida. É inegável que o tão festejado “Dia das Mães”, foi uma criação de natureza comercial. Contudo, a ideia ganhou corpo, e sua força apelativa conseguiu despertar em cada filho, além da vontade de comprar-lhe um presente material, uma espécie de necessidade de prestar-lhe nesse dia todas as honras e reverências que, às vezes, nos esquecemos de prestar-lhe, no curso normal do convívio com ela. Assim, por não ser diferente dos outros, sempre costumo servir-me da oportunidade para redimir-me de minhas omissões quanto a isso. E agora estou aqui, homenageando todas as mães do mundo, desejando mais força e felicidade para as que estão neste plano de vida, e muita luz e paz para as que, como a minha, dele já se ausentaram, com a reedição deste poema, que escrevi há mais de 50 anos; portanto, de idade cronológica igual ou superior à de tantas que já cumprem, cumulativamente, a missão de mãe e a de avó. 

VERSOS A MAMÃE

Na vida nunca achei quem te imitasse.
E não vi em ninguém – juro por Deus! –
Essa doce expressão de tua face
Nem a pureza desses olhos teus.

Eu não sei, minha mãe, se outra seria
Igual a ti, capaz de perdoar,
com o sorriso amável de Maria,
as vezes todas que te fiz chorar.

Na adolescência andei meio perdido
Nas raias de uma falsa realidade,
Ficando, de repente, convertido
Num libertino, em plena flor da idade.

Exposto a toda sorte de perigo
Nos ambientes por mim frequentados,
Não levava nenhum temor comigo
E também não ligava aos teus cuidados.

Assim foi que te impus mil agonias,
Sem que, ao menos um pouco, me lembrasse
De que, naquelas noites, não dormias
Enquanto eu das orgias não voltasse.

Novo Aretino, desdenhei (e quanto!)
De ti, do teu amor, do teu sofrer,
Das orações que tu fizeste, em pranto,
Pedindo a Deus para me proteger.

Na grandeza de tua caridade,
Em teu seio me acolhes, muito embora
Eu seja indigno de piedade,
Por toda a dor que te causei outrora.

Hoje me abraças me beijando o rosto,
Sem comentários sobre os meus deslizes...
Em ti, não vejo a sombra do desgosto,
Só a luz dos espíritos felizes!

E – já curado de minha loucura –
Sinto-me leve, volto a ser menino
Entre abraços tão cheios de ternura
E beijos, de calor quase divino!

Pedreiras(MA), 8/12/1960

[LAGO, Kleber. Palavras e Outros Poemas. São Luís: KCL, 2009] ©
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