REPORTAGEM ESPECIAL | PEDRINHAS, A PENITENCIÁRIA MAIS VIOLENTA DO BRASIL

Juiz Douglas de Melo Martins
O que o Maranhão inteiro já sabe foi mostrado para o restante do país em uma reportagem especial exibida na edição do Jornal da Record que foi ao ar na noite dessa quinta-feira (12).

A reportagem exclusiva feita por Luís Carlos Azenha e Edgar Lucheta mostra como, entre outras coisas, a segurança frágil, com vigilantes terceirizados e despreparados, facilita a ocorrência de rebeliões e homicídios.

Um dos flagrantes foi registrado ainda do lado de fora da Unidade Prisional na área que abriga presos do regime semi-aberto obrigados a passar a noite na cadeia. Por um portão velho e enferrujado, localizado na parte de trás, pessoas estranhas têm acesso livre ao fundo da prisão, levando inclusive mercadorias.
A reportagem também ouviu a viúva do borracheiro Elson, pai de três filhos, que havia sido levado para Pedrinhas após ser condenado por receptação de quatro pneus furtados. Mesmo sendo réu primário, o esposo de dona Tereza Furtado foi colocado junto com assassinos e traficantes. Pouco tempo depois o borracheiro perdeu a vida ao ser decapitado.

Segundo Douglas de Melo Martins, juiz coordenador de fiscalização da penitenciária, o Estado fomenta o crescimento das facções ao não impedir com veemência as ações das mesmas no interior da unidade.

Cézar Bombeiro, representante do Sindicato do Sistema Penitenciário do Maranhão, relatou que durante uma visita que fez ao local juntamente com outras autoridade do judiciário, a cabeça de um preso foi jogada próxima à eles.

O sindicalista revelou que os guardas armados e monitores contratados por uma empresa terceirizada para fazer a segurança em Pedrinhas passam por uma semana apenas de treinamento para em seguida serem "jogados" no sistema.

A rebelião mais recente, ocorrida em outubro desse ano, também foi lembrada.

A reportagem investigativa ainda esteve na área de segurança média e máxima do complexo penitenciário. Além de constatar a falta de fiscalização durante a entrada dos parentes dos detentos, as lentes das câmeras do Jornal da Record flagraram um dos guardas de plantão tranquilamente falando ao telefone na sobra de uma árvore enquanto o veículo da emissora e uma senhora entravam sem nenhum problema.

Enquanto os repórteres circulavam pela penitenciária, outro guarda fumaça um cigarro tranquilamente próximo a portaria que, inclusive, estava com uma parte do portão de ferro no chão.

Novamente do lado de fora, a reportagem registrou outro flagrante. Agentes penitenciários recolhendo de dentro de uma caçamba de lixo uma pistola 380 com dois carregadores. segundo um dos agentes, a pessoa que havia colocado a arma no local conseguiu correr e fugir sem ser identificada.

A pistola tinha o interior da penitenciária como destino.

No mesmo dia, um agente que não quis se identificar revelou que na parte da tarde foram encontrados com um dos detentos um revolver calibre 38 e 44 munições que seriam usadas para matar integrantes de facções rivais.

Com uma câmera escondida a reportagem também registrou um preso falando ao telefone em uma das galerias da penitenciária.

Ainda segundo o juiz Douglas de Melo Martins, durante as rebeliões e confrontos entre as facções criminosas, apenas os presos mais fracos acabam perdendo a vida. Os mais perigosos saem ilesos e prontos para ordenar a morte de mais pessoas.

No final da reportagem, Luis Carlos Azenha diz que o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União estão aguardando resposta ao pedido de intervenção federal no Sistema Prisional do Maranhão, em razão do descontrole.

O Secretário de Estado da Justiça e da Administração Penitenciária, Sebastião Uchôa, disse que a falência da segurança pública é nacionalmente. Assista abaixo a matéria na íntegra.

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