Jornalismo apressado e sensacionalismo em detrimento da análise, reflexão e pesquisa


Desde a manhã desta terça-feira (17), quando foi divulgada a informação da morte de quatro detentos - três decapitados e outro morto a facadas - em confronto no CDP - Centro de Detenção Provisória - de Pedrinhas, em São Luis, que blogues, jornais e portais de noticias repercutem o fato nas redes sociais.

Até ai nada demais, é salutar que exista diversidade de informação, vários vozes e visões do acontecimento ajuda a democratizar a informação. 

O que preocupa, causa especie e repulsa e a forma rasa, rasteira, superficial e sensacionalista como a maioria dos ditos "jornalistas" e "blogueiros" abordam o caso.

As fotos dos corpos sem cabeça, e das cabeças sem corpo são utilizadas por estes veículos de comunicação, como forma de obter acessos, como moeda de troca, não importa se as imagens são fortes demais, se ferem a dignidade humana, o que importa é a audiência, é bater no peito e dizer que está entre os mais acessados do Maranhão, que tem 20, 30, 40 mil acessos dia.

Infelizmente não existe preocupação em manter o leitor bem informado, em discutir a violência nos presídios com dados, números, estatísticas, ouvir especialistas em segurança, autoridades, publicar estes fatos nos blogues ao invés das fotos sensacionalistas, confrontar as informações e contribuir para formar a opinião deste leitor. 

É demorado, difícil e custa caro, pensar, investigar e analisar os vários lados e ângulos de um fato. É bem mais fácil e comodo cair no senso e na vala comum e publicar mais do mesmo, seguir a manada, afinal se todos fazem assim, porque eu vou fazer diferente, e o pior é que, quem age desta forma ainda tem a petulância de chamar isso de"jornalismo".

"A contaminação do jornalismo pelo imediatismo da internet e das redes sociais. Quase tudo é analisado de forma expressa, a reflexão perde espaço para a contagem de cliques e, na pressa, cada vez mais pessoas “morrem, mas passam bem”.

A imprensa deve se render ao circo que a grande maioria do público deseja, abastecendo os leitores e telespectadores com fotos e notícias irrelevantes (e se retroalimentando com a amplificação disso), ou trazer à tona questões verdadeiramente importantes e debates que possam aprimorar a sociedade?"
José Antonio Lima

"A civilização do espetáculo é, em síntese, a combinação da banalização das artes e da cultura com o trunfo do jornalismo superficial e sensacionalista.
Tudo resulta em transformar a vida em um grande espetáculo onde os atores são mais importantes do que o enredo. Onde a cenografia é mais relevante do que a realidade. Onde as ideias pouco importam e as liberdades e direitos são traduzidos em capacidade de consumo.
O espetáculo, para ser eficiente politicamente, exige que se controle a informação. Seja de forma brutal e direta, como nos regimes de exceção, seja de forma sutil, por meios indiretos ou através da saturação de informações irrelevantes e do entretenimento.
O espetáculo também pode não gerar satisfação nem frivolidade. Mas terror e medo, em países ditatoriais que cultuam a possibilidade de punição para manter a lealdade e o “desengajamento” do debate. No final das contas, a sociedade fica bipolar: os poucos que mandam e os muitos que obedecem.
Murillo de Aragão - Cientista Político

Nosso tempo, sem dúvida... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... O que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado."

Feuerbach — Prefácio à segunda edição de
A Essência do Cristianismo

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado (que é o resultado da sua própria atividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo. A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que age aparece nisto, os seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que lhos apresenta. Eis porque o espectador não se sente em casa em parte alguma, porque o espetáculo está em toda a parte."A Sociedade do Espetáculo - Guy Debord Página 19"

TEXTO DE ABIMAEL COSTA 
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