COLUNA AR-15: Mais Médicos? Não. Mais seriedade! – Parte - I


Sei que o assunto já está algo exaurido em debates, mas vale a pena explorá-lo mais em se considerando um fato novo: o resultado da 1° fase do último Revalida divulgado na semana passada. Revalida é a prova que os médicos formados em outros países realizam aqui para terem seus diplomas reconhecidos pelo governo brasileiro e assim poderem exercer a profissão médica no Brasil legalmente. É a revalidação do diploma profissional adquirido no estrangeiro. A prova é aplicada por uma das universidades federais brasileiras indicada pelo governo federal.

Faz-se importante explicar ao público leigo porque essa onda de estudantes brasileiros indo estudar Medicina fora do Brasil, especialmente na Bolívia, Peru e Argentina. Será por que faltam vagas no Brasil? Não. Há vagas suficientes para a formação de médicos nas faculdades e universidades brasileiras conforme a demanda desses profissionais para a realidade de saúde pública do país. E nos 15 últimos anos essa oferta aumentou significativamente. Só no Maranhão,02 novas instituições de ensino superior começaram a oferecer cursos médicos que não existiam há 10 anos (UNICEUMA- São Luís-50 vagas/ano e UEMA-Caxias-60 vagas/ano), além das 100 vagas/ano que a UFMA oferece há décadas.E já está autorizada pelo Ministério da Educação a criação pela UFMA demais de mais 80 vagas/ano em Imperatriz, 40 vagas/ano em Pinheiro, mais 40 vagas/ano em São Luís, tudo a partir de 2014; e mais 80 vagas/ano em Bacabal a partir de 2015.Mas aqui no Brasil para se estudar Medicina precisa fazer vestibular ou passar na prova do Exame Nacional de Ensino Médio-ENEM. E isso não é para dificultar, mas para comprovar se o candidato a médico tem o conhecimento básico necessário para aprender as complexas disciplinas técnicas dos 06 anos de formação médica. Esses estudantes que vão para fora já foram reprovados várias vezes em vestibulares e no ENEM. Portanto, vão fazer Medicina fora do país porque lá não é necessário vestibular ou nenhuma outra comprovação de conhecimentos para se estudar Medicina. É por isso. Qualquer um que não concluiu o ensino médio e comprou um diploma em qualquer corruptela ou o concluiu mal e porcamente pode chegar lá e se matricular num curso médico, bastando para isso ter dinheiro para a matrícula, mensalidades e custas de viver lá. Já para se estudar Medicina no Brasil tem-se que provar que tem o mínimo de embasamento teórico para aprender as complexas disciplinas técnicas do curso de formação médica;tem-se que saber com maestria o conteúdo do ensino médio. Lá basta ter dinheiro. Aqui precisa ter conhecimentos. E Medicina é a carreira mais concorrida nos vestibulares do Brasil. Não pela exiguidade de vagas, mas pela necessidade do preparo do candidato. E esses estudantes nem português sabem direito já que foram reprovados nos vestibulares daqui. Reprovados aquivão para lá e são aceitos de qualquer jeito, sem saber nem a língua do país de lá, mesmo as aulas de lá sendo ministradas em Espanhol. Ora, como alunos que nem português corretamente sabem vão aprender medicina em outra língua que desconhecem? Já vi deles escreverem a palavra “educação” com 02 “s” (EducaSSão. Pode?). Começam por aí as deficiências na formação desses estudantes. Fora outras que vamos ver no discorrer desses textos. E a lei brasileira é clara: só é reconhecida a formação profissional no exterior de alguém para exercer a profissão aqui se o método de ingresso na instituição estrangeira que o formou for igual ao método nacional. Isso não é corporativismo. É garantia de profissionalismo adequado. Apesar de haver bons profissionais formados lá e péssimos profissionais entre os formados aqui.

Como alguém vai aprender bem algo que está sendo ensinado numa língua que ele não sabe ou sabe mal? E falo de aprendizado essencial, pois é conhecimento que será necessário para salvar e tratar vidas ou condená-las à morte ou a sequelas permanentes graves. O problema é que a grande maioria de quem vai para a Bolívia não está preocupado em saber a Medicina, mas em ser médico apenas para dar-se bem financeiramente, pois a Medicina ainda é uma profissão que garante algum rendimento mensal aprazível. Situação, infelizmente, igual àde muitos médicos, mesmo formados no Brasil, que pelo sucesso financeiro fazem tudo, até em detrimento de sua própria reputação e do paciente, pois estão procurando trabalho, mas apenas empregos, boa remuneração e salários. Fazer isso é não ter compromisso com a dignidade da profissão e nem com o ser humano ecom a vida, mas apenas consigo e com seu próprio bolso.

E o resultado do último Revalida demonstra que tais estudantes, em sua grande maioria,não estão preparados mesmo e têm formação gravemente deficiente. Apenas 9.72% dos que se submeteram esse ano à prova foram aprovados. De 1600 médicos graduados no exterior inscritos apenas 155 passaram para a 2º fase do exame. E olha que foi só a 1º fase da prova – a de múltipla escolha. Na 2º fase, que é de habilidades práticas, discursiva e oral esse índice de aprovação cairá mais. Não considerar esse fato preocupante para a saúde pública brasileira é desconsiderar a importância de nossa própria vida. Apesar de este ser apenas mais um aspecto preocupante na aplicação da política de assistência à saúde em nosso país, pois os erros e problemas são tantos outros e tão graves quanto este em específico. Mas essa educa$$ão de médicos feitos “a facão” na Bolívia não serve ao Brasil.

Como o assunto é longo e quero chegar até o programa “Mais Médicos”, que o governo federal recentemente criou para fazer campanha eleitoral para a reeleição da Presidenta Dilma Roussef, na próxima publicação exponho o complemento desse assunto.

SOBRE ALLAN ROBERTO, CLIQUE NO LINK ABAIXO

Allan Roberto Costa Silva, natural de Pedreiras-MA, 42 anos, é médico com formação profissional no Rio de Janeiro. Iniciou sua vida política no movimento estudantil secundarista em São Paulo, onde fez o ensino médio, e depois continuou no movimento estudantil universitário, tendo sido Presidente do Centro Acadêmico de sua universidade e diretor da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina-DENEM e da União Nacional dos Estudantes-UNE. Foi das fileiras municipais do Partido dos Trabalhadores-PT e coordenou a campanha do partido a prefeito nas eleições de 1996 nas cidades de Pedreiras e Trizidela do Vale. Foi presidente do diretório municipal pedreirense do Partido Democrático Trabalhista-PDT. Em 2000 foi eleito o vereador mais votado das eleições municipais em Pedreiras, tendo sido Presidente da Câmara Municipal de 2001 a 2004. Em 2002 foi coordenador da campanha eleitoral do ex-governador Jackson Lago em toda a região do Médio Mearim. E em 2004, tendo preferido não concorrer à reeleição, ajudou a coordenar a campanha eleitoral de Lenoílson Passos à prefeitura de Pedreiras. Em 2005 foi Secretário Municipal Extraordinário de Articulação Política do governo Lenoílson. Membro da Academia Pedreirense de Letras e da Associação dos Poetas e Escritores de Pedreiras-APOESP, é analista político, articulista e ensaísta de vários jornais e blogs maranhenses.

15 comentários:

  1. Cidadão Pedreirense12 de novembro de 2013 07:36

    Esse Doutor AR-15 é muito bom mesmo. Mas quero perguntar uma coisa: quando é que ele vai voltar esse fuzil dele para esse governo do Totonho Chicote que está acabando com a cidade e maltratando o nosso povo? Um governo desse que não acerta em nada, é cheio de crimes e bandidagem precisa ser combatido severamente por alguém com categoria e autoridade como o Allan. Pedreiras precisa dele nisso, no que nunca ele se omitiu em fazer, que é ser a voz dos injustiçados e defensor da correção política e administrativa, coisa que ele sempre foi. Acho que essa sociedade está muito calada e as pessoas compromissadas com a verdade ainda tímidas. AR-15, precisamos de você é fuzilando esse governo e essas pessoas incompetentes e criminosas que o compõem. Não fuja à luta!

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    1. KKKKKKKKK Segura a onda seu Totonho e dona sisdeis porque se o AR 15 fizer o que esse aí emcima diz, vcs tão lascados. E se Pedreiras bem conhece o Dr Allan ele não vai aguentar essa bagunça toda calado não. e não pense esses mortaos de fome do governo que o Allan é como eles que se apega a empreguinho não. Lembrem-se que ele é médico e como médico pra ele não falta emprego.

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  2. A grande questão não está restrita à área médica. O grande problema é a EDUCAÇÃO no Brasil, e todas as questões correlatas como falta de infraestrutura, melhores salários aos professores etc. Outros cursos tradicionais como Engenharia e Direito, igualmente concorridos nos vestibulares, infelizmente não têm mais a mesma qualidade de outrora. Aumenta-se as vagas, diminui-se a qualidade. Triste realidade.

    Para ilustrar o exposto acima, vejamos:

    http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/vestibular/engenharia-civil-e-o-curso-mais-concorrido-da-fuvest-2012/n1597360029395.html

    http://www.rotadosertao.com/noticia/1855-direito-e-curso-mais-concorrido-no-vestibular-da-ufs

    Fica a pergunta: O Governo Federal não estaria interessado em igualar os cursos médicos do Brasil aos de Cuba? A quem isso interessaria?

    Uma coisa é certa, não se pode mudar 1,2 ou 3 cursos. É necessário que a mudança seja feita em toda EDUCAÇÃO, em todos os níveis, em todo País.

    Obtempero com o Autor: A “saúde pública brasileira” precisa ser melhor tratada pelo Governo Brasileiro, tão omisso frente a questões relevantes para a vida de toda SOCIEDADE, corpo social que é a razão de ser das nossas vidas.

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    1. Concordo. O Dr fala na questão médica, mas o problema é maior e depende da Educação como um todo. E tenho certeza que ele tem consciencia disso.

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  3. ah quero ver esse AR15 é falando as verdades dessa prefeitura que ninguem aquenta mais.

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  4. Acho que antes de falar da capacidade dos candidatos ao REVALIDA, se deve averiguar o nível de complexidade da prova (REVALIDA) como um todo, ou o Dr. é especialista em várias áreas da medicina ou é discípulo do Dr. House para ter conhecimentos de tantas especialidades e inclusive subespecialidades que fazem parte do banco de perguntas da prova. Pois, saiba Dr. que essa é uma prova feita para que não se aprove, como relatou o próprio ministro da saúde quando questionado sobre um médico cubano que não aprovou. Por fim, que deixar bem claro que os que saem do Brasil para países vizinhos para estudar medicina, não o fazem por terem dinheiro (VIDE Paragrafo 2º, linhas 21-22), mas sim por terem oportunidade de realizar um sonho já que no Brasil as mensalidades são abusivas, em torno de R$ 5.000,00 e as públicas são para os que podem pagar caríssimos cursos preparatórios de pré-vestibular, ou seja, quem tem dinheiro estuda no Brasil.

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    1. Médico pedreirense - São Luís12 de novembro de 2013 21:34

      Falar de nível de complexidade da prova em blog de generalidades, cara? Discutir paracoccidiodomicose aqui no blog? É isso que vc quer? Isso é muito tecnicista pra ser analisado aqui.Tu é burro? O autor quis analisar em linhas gerais, foi o que entendi. E ele não quis ser superconhecedor de todas as áreas médicas não. Sou médico e entendi o que ele falou direitinho. Desconsiderar que o profissional tem que ter um mínimo conhecimento de toda a profissão é querer demais. Não passam na prova é porque não têm formação suficientemente boa. E por que 10% passam sem serem especialistas e subespecialistas? Eu não fiz cursinho caro não. E estudei em pública. Não passam é porque não têm base e têm péssima formação. Vc deve ser um dos que fugiram de enfrentar o embate no Brasil e foi ser mochileiro no exterior. Absurdo conceber que se faz prova com o intuito de não aprovar ninguém. Só uma mente limitada mesmo para entender assim. O Ministro da Saúde tem interesse nos projetos do governo. A classe médica está contra a Dilma e ela criou isso para ter a sua claque. Te toca, cara.

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    2. Sr. "Médico pedreirense - São Luís", em primeiro lugar, se o blog é de generalidades podemos muito bem discutir o que quisermos, inclusive o comentário foi feito em base ao texto principal, ou vc é burro? Outra coisa é que não foi citada nenhuma doença específica, tudo que foi escrito está de forma generalizada, ou não? Em segundo lugar, tentei demonstrar que é muito simples falar sem saber o que realmente passa, e vc é mais um. Também sou contra as atitudes tomadas por Dilma em relação ao Mais Médicos. E, em momento algum desconsiderei que um profissional deve ter o mínimo de conhecimento como vc mencionou, pelo contrário, acho que faltou um pouco de interpretação de texto de sua parte. Outra coisa, dentro dos que tentam o REVALIDA, não está só gente formado em países vizinhos, também participam médicos dos EUA, Canadá, Espanha, Portugal, etc. Então, o q vc diz? A formação em países norte-americanos e europeus também não presta? "Cara", sou sim estudante de medicina, na Bolívia, e tbm sou enfermeiro formado no Brasil inclusive fui docente em alguns cursos, + não sou mochileiro não. Claro que muitos aqui não são capazes de exercer uma profissão tão importante com a devida responsabilidade, porém, falar dos brasileiros que estudam fora como pessoas inferiores aos que cursam no Brasil, é no mínimo preconceito. Ah, pq não lutam para tentar diminuir a avalanche de universidades que estão abrindo as portas oferecendo cursos de medicina muitas sem nem ter onde os alunos (futuros médicos) praticarem? Isso sim é preocupante, será que terão um nível tão bom quanto ao que a maioria dos médicos formados no Brasil se julgam ter? Antes de se pronunciar em uma página pública procure entender melhor o vai expressar, fica a dica. Ou será melhor dizer, "Te toca cara".

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    3. vixi o cabra tá brabo com o artigo do dotô e com esse outro medico de sao luis mas ta explicado porque. kkkkkkkk. é que ele alem de enfermeiro fustrado porque foi fazer enfermagem porque nao passou no vestibular pra medicina, ainda vai ser medico falsificado, não do paraguai mas da bolivia. kkkk. brm que o AR disse kkkk

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    4. Os cursos médicos brasileiros são extremamente bem fiscalizados e a autorização para a abertura de um novo curso é muito rigorosa. Não é verdade que haja uma "avalanche de universidades que estão abrindo as portas oferecendo cursos de medicina muitas sem nem ter onde os alunos (futuros médicos) praticarem" (SIC), não! O estudante boliviano aí em cima está desinformado. Por isso teve que estudar lá. E é muito prepotente e rancoroso na forma de se expressar. Outra: por que profissionais de outros países como Canadá, EU e europa quereriam vir para o Brasil? Mais uma desinformação. Já apliquei o Revalida e seu público alvo é 100% de médicos de países latino-americanos que saíram do Brasil fugindo da reprovação no vestibular. Discordo em tese em algumas argumentações do autor do texto postado, que é verdadeiro em sua explanação da realidade abordada, mas esse estudante boliviano está despreparado até para escrever corretamente em português como seu texto demonstra, realidade bem evidenciada o autor do artigo. Não foi à toa que este precisou ir estudar na Bolívia.
      Airton Vaz - Professor UFMA

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  5. Pra mim o mais correto seria que o REVALIDA fosse aplicado a todos os médicos, tem muitos médicos burros por ai, e estas particulares estão esgotadas destes. A diferença basica entre um estudante que faz na Bolívia e outro numa particular do Brasil, é pq um tem mais condição financeira e outro não, mas capacidade intelectual destes dois tipos são equivalentes.

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    1. Concordo. Tal como na OAB, os médicos merecem seu "provão" do CFM.

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  6. Concordo plenamente, só assim para sabermos se os médicos formados no Brasil, estão realmente capacitados para atuar.

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  7. Não entendo o pq de tantas brigas entre os médicos com formação aqui no Brasil e outros também brasileiros formados no exterior, a meu ver uns deveriam respeitar os outros, já que ambos são formados para exercer a medicina independente de qual país veio ou de onde vai atuar. O que realmente importa é exercer aquilo que lhe foi ensinado com amor e respeito aos seus "clientes" (pacientes), isso pra mim é o + importante. Claro, todos independente de ser formado no Brasil ou não deveriam passar por uma avaliação, acho injusto que os graduandos no Brasil não passem por uma "peneira" já que muitos realmente não são apitos (conheço casos) a exercer uma profissão tam importante por lidar com vidas. Essa é minha simples opinião.

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  8. Não sou médico nem estudante de medicina + vi este embate e resolvi postar algo que pode ser uma informação a +. Segundo o que li em 2012, 884 pessoas de VÁRIAS PARTES DO MUNDO se inscreveram para o Revalida, e apenas 77 (menos de 9%) conseguiram a aprovação no exame.
    O Brasil respondeu pela grande maioria dos inscritos (560), mas apenas 7% dos candidatos foram aprovados. O país ficou na sexta colocação no ranking de índices de aprovação. Os países que obtiveram o maior êxito neste quesito foram Venezuela (27%) e Cuba (25%), apesar de o número absoluto de inscritos ter sido pequeno. Nenhum candidato com nacionalidade de países da Ásia, África ou América do Norte CONSEGUIU passar na prova do MEC.

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Pedras Verdes, Pedreiras, MA, Brasil.