MAIS UM QUE BEBEU DAS ÁGUAS DO MEARIM: Diogo Nascimento

MINHA PEDREIRAS

Há pouco mais de um mês convivendo em Pedreiras, entre idas e vindas a São Luís, já posso descrever a minha Pedreiras, cidade que me acolheu e proporciona minha primeira experiência profissional.

Manhãs e tardes preenchidas por uma saudável convivência com colegas de profissão e outros funcionários do Laboratório Municipal da cidade. Fui muito bem recebido e vislumbro num futuro próximo sinceras amizades construídas no ambiente de trabalho, algo não tão comum nos dias de hoje.

Logo cedo, os primeiros raios de sol já entram quarto adentro, despertando-me naturalmente. Já ouço alguns barulhos matinais: pássaros? Alguns. Mas muitas motos, carros, gente conversando... Pedreiras acorda cedo, a cidade madruga para que Deus a ajude a seguir em frente e chegar aos 100 anos de idade com vigor e renovação.

Café tomado é hora de seguir para o trabalho. Pelas ruas da cidade, a pé, vou contemplando um povo com olhar curioso e jeito simples. Muitos idosos pela cidade, o que é natural para uma cidade quase centenária e que demonstra, pela quantidade de idosos, que é um bom lugar para se viver. Muitos jovens, muitas mulheres bonitas. Pedreiras e seu povo tem me encantado. 

Pedreiras não seria Pedreiras sem a sua Avenida Rio Branco. Principal avenida da cidade, tudo se encontra nela: bancos, lojas, escolas... A cidade cresce exponencialmente. Para onde a gente olha, há inúmeros prédios sendo construídos, muitos novos apartamentos e outros empreendimentos. A cidade é um dos pulmões da região. Pedreiras se auto-sustenta. Mas ainda há muito que ser melhorado, como em qualquer cidade... mas ninguém precisa ir longe para nada. Por exemplo, uma das maiores faculdades do interior do estado está aqui em Pedreiras, e ainda há um pólo da Universidade Estadual do Maranhão. Quando a cidade vai receber um campus da Federal? Já está na hora. 

No caminho até o laboratório vou observando as pessoas e seus hábitos, passando por locais de grandes aglomerações e onde todo mundo se encontra. Logo perto de casa passo em frente ao bar do Índio, que recentemente completou 21 anos de existência, e pela festa que teve para comemoração, suponho ser o bar do Índio para Pedreiras, tal qual o bar do Léo para minha ilha do amor: ponto de encontro para conversas, boa música, poesia. Ali bem próximo está a praça Zino Caldeira, a famosa praça do Jardim, outro ponto de encontro da cidade: para conversas, futebol amador, apresentações culturais, saborear um bom churrasco e uma boa pizza. 

Ainda seguindo para o trabalho passo em frente e no meio de um mercado, mas ainda não entendi bem aquela muvuca. Ali bem perto, vejo a agência dos Correios, onde às vezes me refugio para escapar do calor ou ao aguardo da minha tia, que lá trabalha e atende com simpatia e agilidade os cidadãos que precisam de atendimento ou direcionamento. Realmente não sei o que seria dessa agência sem ela. 

Mais adiante me deparo com uma linda igreja, a Igreja de São Benedito, imponente, no alto de uma ladeira, linda por fora e por dentro. Algumas vezes, acabo por parar no meio do trajeto e entro na igreja para pedir à Deus que me abençoe. Oro e depois fico contemplando as belezas da igreja. 

Já estou bem próximo do laboratório. Caminhando mais um pouco, em três minutos lá estarei. Mas se eu quiser contemplar algo tão significativo e que sempre vem à mente quando alguém fala de Pedreiras, poderei rapidamente fazer isso e ainda assim não me atrasarei pro trabalho. E não estou falando de nenhum monumento em homenagem a João do Vale, símbolo desta terra, para quem dedicarei outro texto. Estou falando do rio Mearim, que banha a cidade e divide Pedreiras e Trizidela do Vale, cidades irmãs, ou mãe e filha, se considerarmos que Trizidela já foi um bairro de Pedreiras até o início da década de 90. Quantas histórias esse rio deve ter visto acontecer, quantas idas e vindas, quantas disputas e vitórias. Rio Mearim é a alma de Pedreiras e João do Vale a inspiração e o perfume que até hoje marca os corações pedreirenses. 

Bom, aí você se pergunta quantos minutos eu gastei contemplando tudo isso. Se eu sair de casa meia hora antes do horário que devo chegar ao trabalho, meia hora será o suficiente. Mas como faço o mesmo privilegiado percurso todo dia, vou degustando tudo aos poucos.

Se você não conhece Pedreiras, faço o convite para que venha conhecer. Um final de semana é o suficiente para você querer voltar sempre. 

(Texto publicado no Jornal O Estado do Maranhão.)
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Diogo Nascimento
Farmacêutico-Bioquímico
Membro da Academia Lagopedrense de Letras e Artes

1 comentários:

  1. Diogo Nascimento, parabéns pelo seu texto que enalteceu de forma poética a minha querida cidade de Pedreiras. A crônica está perfeita, mas quero lhe parabenizar por ter destacado a FAESF como a maior Instituição de Ensino Superior do interior do Maranhão. Você falou a pura verdade e, como egresso daquela Casa e atualmente funcionário, senti-me lisonjeado por isso. Continue contribuindo com o blog escrevendo pérolas como esta.

    JOAQUIM FERREIRA FILHO
    Rua Corinto Nascimento, 39 - Goiabal - Pedreiras/MA.
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Pedras Verdes, Pedreiras, MA, Brasil.