TODO DIA É “DIA DAS MÃES”


Por Joaquim Filho 

Viajando um pouco na História, vamos descobrir que a mais antiga comemoração do dia das Mães é mitológica. Na Grécia Antiga, a primavera advinda era festejada em honra de Rhea, a Mãe dos deuses. 

Há ainda outro registro que, no início do século XVII, a Inglaterra começou a dedicar o quarto domingo da Quaresma às Mães das operárias inglesas. Consta que nesse dia, todas as trabalhadoras recebiam folga para ficar em casa com as mães. 

Mas para consolidar este fato, fora nos Estados Unidos as primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães, em 1872, pela escritora Júlia Ward Howe, grande intelectual norte-americana, autora de “O Hino de Batalha da República”. Outra norte-americana, Ana Jarvis, no Estado da Virgínia Ocidental, fora quem iniciou uma campanha para instituir o “Dia das Mães.” 

No ano de 1905, Ana, que era filha de pastores, perdeu sua mãe e entrou em grande depressão. Suas amigas, preocupadas com aquele sofrimento, tiveram a idéia de perpetuar a memória de sua mãe com uma festa. Ana quis que a festa fosse também estendida a todas as mães, vivas ou mortas, com um dia em que todas as crianças se lembrassem e homenageassem suas mães. E num gesto fraterno, Ana fora bastante inteligente e feliz quando pensara na idéia de fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais. 

No Brasil, o primeiro “Dia das Mães” foi promovido pela Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, em data de 12 de maio de 1918. Mas somente em 1932, o então Presidente da República Getúlio Vargas oficializou a data no segundo domingo de maio. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica. 

É indubitável que na vida quase tudo, com o passar do tempo, vai perdendo a sua verdadeira essência. Mas o Dia dedicado às Mães deveria ser diferente, assim como deveria ser diferente o Natal, o Dia dos Pais e muitas outras datas cívicas e religiosas que nós não estamos mais dando o seu verdadeiro valor, não estamos cultivando para futuras gerações. 

Temos uma péssima mania de dizer que as coisas mudaram, que antes isso e aquilo eram diferentes, porém não percebemos que nós é que mudamos. “Dia das Mães” hoje virou símbolo de propaganda, comércio, lucro, vendas e faturamento, sendo a mídia a grande responsável por tudo isso. 
Quem ainda tem sua mãe viva, tenha a consciência que todo dia é dia das Mães, pois todos os dias elas estão prontas para doar o seu amor, a sua compreensão, o seu carinho e a sua paz infinita. 

O mundo capitalista e os meios de comunicação transformaram nossas Mães num produto de consumo, numa aplicação onde grandes investidores ganham de forma exorbitante. 

“Não criei o dia das Mães para ter lucro”. Com essa frase Anna Jarvis ironicamente dissera a um repórter, em 1923, por ter tido a infelicidade de ver que o “Dia das Mães” tinha sido transformado numa data lucrativa para os comerciantes. Neste mesmo ano, ela entrou com um processo para cancelar o Dia das Mães, sem sucesso.
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