A DIFÍCIL ARTE DE SER GARI



Por: Joaquim Filho 

Ontem à tarde, por volta das 17 horas, eu estava vindo da Avenida João do Vale, estava dando umas pedaladas em uma bicicleta, precisamente na Santinha, como nós falamos em Pedreiras e, vi e ouvi o locutor conhecido popularmente como Ribão, transmitindo um aviso da Secretaria de Infraestrutura do Município de Pedreiras, pedindo para as pessoas não colocarem a sacola de lixo em suas portas, pois não iria acontecer a coleta de lixo, devido o dia 16 de maio ser o DIA do GARI. 

Até aí, tudo bem; pois Gari é um profissional de valor como outro qualquer, o qual tem uma função muito importante na sociedade, que é realizar a limpeza e a coleta da sujeira e do lixo que nós produzimos durante o dia e a noite, em nossas casas, comércio, fábricas, escolas, hospitais, associações etc. 

Certa vez, o meu amigo Gregório Reis, ex-Diretor de Recursos Humanos da Prefeitura Municipal de Pedreiras, me disse que falou uma vez a um determinado Promotor de Justiça, numa audiência em seu gabinete, que o funcionário mais importante do município é o gari, pois é ele quem limpa a sujeira que fazemos. 

O Gari é o profissional - melhor dizendo - é o agente de limpeza pública, que pelo fato de trabalhar nas condições precárias que trabalha, percebendo mísero salário para sobreviver, não receber o mínimo valor do Poder Público, vive à margem da sociedade, tal qual um ser desprezível e que nós às vezes nem olhamos, nem observamos e não dirigimos a nossa palavra para dizer-lhe apenas um bom dia. 

Dia 16 de maio é o Dia que homenageia o Gari. Mas o que essa classe tem a comemorar? Alguém poderia me dizer? 

Nós já paramos para olhar a forma desumana que tratamos os nossos Garis e o jeito que os Garis de nossa cidade trabalham de sol a chuva para deixar a nossa cidade limpa? 

Depois que você lê esse texto, observe o dia seguinte, de que forma e como os nossos Garis voltarão para o seu trabalho, tarefa árdua e profissão difícil de ganhar o pão de cada dia. Faça uma análise do que você observou e se pergunte se a forma que os nossos Garis trabalham em nossa cidade está de acordo com a Legislação das Leis Trabalhistas; com as Normas de Segurança do Trabalho ou ainda com a dignidade que um simples ser humano pode ter. “Ouse pensar, amigo.” 

Sendo hoje o Dia do Gari, nós, cidadãos pedreirenses deveríamos prestar as nossas homenagens a esses senhores e senhoras, realizando o trabalho deles, para sentirmos na pele o que é ser um gari por um dia. Sendo assim, nós iríamos compreender o que é ser um gari a vida toda. 

Ano passado, quando trabalhei como professor de Língua Portuguesa na Unidade de Ensino Zeca Branco, eu desenvolvi um trabalho com três turmas: uma de 5ª e duas de 6ª, no qual apresentei aos alunos um tema voltado para essa questão, baseado numa pesquisa que tinha como finalidade a conclusão de tese de mestrado da ‘invisibilidade pública’, feita pelo psicólogo social Fernando Braga da Costa. 

Com sua pesquisa, na qual fingiu ser gari por oito anos e viveu como um ser invisível, Fernando Braga quis revelar o triste retrato da nossa sociedade, onde ele comprovou que, em geral, nós só enxergamos apenas a função social da outra pessoa. Quer dizer, quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social. 

A pesquisa do jovem psicólogo se deu da seguinte forma: ele vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Na USP, constatou que, ao olhar da maioria das pessoas que ali transitavam, os trabalhadores braçais são ‘seres invisíveis, sem nome’. Ao concluir a sua tese, baseado na sua pesquisa, conseguiu comprovar a existência da ‘invisibilidade pública’, ou seja, segundo ele, “uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.” 

Braga afirmou que trabalhou apenas meio período como gari, não recebia o salário vigente da época como os colegas de vassoura, mas afirma em entrevista que com isso pode ter a oportunidade de experimentar a maior lição de sua vida. 

Veja o que mais concluiu o psicólogo Fernando Braga: “Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência.” 

A sua pesquisa para a tese de mestrado lhe permitiu sentir na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano: “Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se estivessem encostado em um poste, ou um orelhão.” 

Creio que com esse assunto trabalhado com os alunos da Unidade de Ensino Zeca Branco, em 2011, nós, alunos e professor, juntos, refletimos sobre a condição dessas pessoas que ganham a vida realizando um trabalho muito difícil, e muitas das vezes desumano. 

Que o dia de hoje não seja apenas para o Gari ficar em casa, ter uma folga etc; mas, sobretudo para se pensar e discutir políticas públicas no sentido de tornar a profissão de gari mais digna e valorizada.

8 comentários:

  1. Eis que o salário, que defraudastes aos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, clama, e seus gritos de ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor dos exércitos. (São Tiago 5,4)

    Popularmente falando Joaquim: "Deus tá vendo!"
    Esses homens e mulheres que trabalham dignamente deveriam ser melhor recompensados para poderem usufruir dos frutos de um trabalho tão árduo, mas de qualquer forma desejo que a classe consiga conquistar o que eles almejam, e continuem vencedores, sim vencedores pois muitos não tiveram a sua coragem de trabalho e hoje vivem nas sarjetas do mundo entregues às drogas e ao alcool, parabens a esses bravos trabalhadores!

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  2. Depois daquelas criticas de rei morto que a galera caiu de pau em cima de ti, tu melhorou muito poeta. Esse é o joaquim que eu conheci no PT, que defendia os direitos do trabalhador. Volta joaquim ainda a tempo. Parabéns e muito boa a matéria. será se Lenno vai gostar poeta?

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  3. Excelente artigo, mas infelizmente a vida de gari em Pedreiras é muito mais difícil ainda, em virtude de não serem tratados como os demais profissionais, pois o poder público municipal não oferece a esses dignos profissionais EPI'S - Equipamento de Proteção Individual, como: fardamento, luvas, máscaras, botas etc... A maioria deles infelizmente trabalha de japonesa havaianas.

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  4. Tem um projeto que foi aprovado na Câmara Municipal de Pedreiras em 2006/2007 e sancionado pelo Prefeito Municipal em que o Município deveria oferecer a cada três meses assistência médica e odontológica aos garis. O autor do projeto inseriu tb a obrigatoriedade de trabalharem com seus EPIS, inclusive na época a promotora foi convidada e in loco conheceu as condições de trabalho dos mesmos, deu um prazo para o secretário de infra-estrutura na época, mas até hoje, nada. O Mesmo projeto também contemplava estes trabalhadores com um café da manhã que deveria ser servido no local de trabalho,(pelo menos um café com leite e pão com manteiga) alguns desmaiavam no trabalho por saírem muito cedo e trabalharem com fome. Não estou e nem pretendo fazer politicagem, porém todo cidadão se quiser ter acesso a este projeto é só solicitar uma cópia nos arquivos da CÂMARA MUNICIPAL DE PEDREIRAS, e saberão quem é o autor do projeto. Que após ser lido, apreciado, aprovado, sancionado nunca foi executado.

    Vamos cobrar!

    KATYANE LEITE

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  5. Sou filha de gari, ainda há muita rejeição a esta profissão, mas ela é tão digna quanto qualquer outra,e como algumas, ainda falta o interesse de certos politicos de reconhecer o valor que o trabalhador tem, pois é uma profissão tão importante que é através do "gari" que a sociedade se torna limpa! Mas quero fazer um comentário referente a essa mensagem do poeta "intelectual" Apesar do gari ainda ser desvalorizado, o Prefeito Lenoilson tem dado algumas oportunidades para esta classe se sentir "gente", Temos participado de desfile de 07 de Setembro, Carnaval, Brincadeiras juninas, Viagens para tomar banho de mar...enfim,que o futuro gestor desta cidade possa os ver como pessoas merecedoras de ATENÇÃO E RESPEITO. Elisabeth

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  6. Elisabeth! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsr
    Cria vergonha, defensorzinho cara lavada. Fazendo defesa de gestor e usando nome fictício e, ainda por cima se dizendo filha de gari. Compre-me um bode descarado! Se essa Elisabeth existisse e fosse mesmo filha de gari, iria ver que a crônica do rapaz não se refere a falar mal de A ou B, mas de mostrar uma realidade nacional, compravada através de uma pesquisa que virou tese, e que infelizmente acontece com garis de todo Brasil.
    O mal que esse "povinho bunda", alienado e atrasado de Pedreiras achar que tudo que se fala aqui no blog está falando mal de prefeito!!!

    Muito infeliz a sua colocação: "Apesar do gari ainda ser desvalorizado, o Prefeito Lenoilson tem dado algumas oportunidades para esta classe se sentir "gente", Temos participado de desfile de 07 de Setembro, Carnaval, Brincadeiras juninas, Viagens para tomar banho de mar...enfim,que o futuro gestor desta cidade possa os ver como pessoas merecedoras de ATENÇÃO E RESPEITO. Elisabeth."

    Desde quando realizar desfile de 7 de setembro, carbaval, brincadeiras juninas, viagens para tomar banho de mar é dar dignidade para gari?

    Qualquer senhor de escravos, em suas fazendas e engenho, fariam isso.

    Essa defesa é típica de gente que não quer ver a realidade.

    Elisabeth!!!!!!!! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs dá licença!

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  7. Será se essa elisabeth ai é a mesma que lava as louças da casa do prefeito?

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  8. Tá no governo e ter coragem de criticar publicamente pode ser 3 coisas, rabo preso, autoconfiança ou o Lenno é um democrático. O que vc axa?

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Pedras Verdes, Pedreiras, MA, Brasil.